Os call centers de burla ucranianos reabriam sempre. O motivo chegava à procuradoria-geral.
Em agosto a polícia ucraniana fechou 94 call centers de burla numa única semana. A pergunta que ninguém respondia na altura era como é que um setor daquela dimensão tinha conseguido crescer.
Já há uma resposta parcial. O Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia identificou cinco suspeitos num esquema que, segundo os investigadores, recebia subornos dos call centers fraudulentos desde meados de 2025 em troca de manter a polícia afastada. A caução de um dos suspeitos, Serhii Kropyva, foi fixada em 120 milhões de hryvnias, cerca de 2,7 milhões de dólares, e os bens branqueados são estimados em perto de 89 milhões de hryvnias. O procurador-geral Ruslan Kravchenko anunciou a demissão a 7 de setembro, chamando-lhe uma decisão política; o parlamento afastou-o na segunda-feira e o presidente Zelensky assinou a exoneração no mesmo dia. Kravchenko não está acusado e nega categoricamente ter protegido quem quer que seja.
Na quarta-feira o parlamento aprovou a lei que dormia na Rada desde 2023. O projeto 10190 passou na íntegra com 313 votos e cria crimes que antes não existiam, entre eles constituir ou dirigir uma organização de fraude por comunicações eletrónicas, punida agora com sete a doze anos e perda de bens. Até aqui, os procuradores tinham de encaixar estas operações nos artigos comuns de burla.
Nada disto muda o que amanhã chega ao seu telemóvel. Um centro de Kiev desmantelado em julho tinha retirado mais de 500 mil dólares a dezenas de norte-americanos, e os guiões destes sítios são iguais em toda a parte: um banco a ligar por causa de um pagamento suspeito, um corretor com uma oportunidade, uma voz simpática que precisa que instale primeiro qualquer coisa. Desligue e marque o número impresso no seu cartão. Se alguém já se meteu a falar dentro do seu computador, a verificação de segurança do Tendvane mostra-lhe o programa de acesso remoto que ficou lá.