O email de phishing foi bloqueado. A reunião apareceu na mesma no calendário
Eis a brecha que os burlões encontraram. Quando um convite chega por email, a maioria dos calendários acrescenta o evento automaticamente antes de alguém ter decidido se o remetente merece confiança. Por isso, se o servidor de correio concluir depois que a mensagem era phishing e a puser em quarentena, o email desaparece e a reunião fica. Na segunda-feira abre o calendário e lá está ela, igual a qualquer outro compromisso marcado consigo.
A Sublime Security, que desenvolve ferramentas de deteção para email, tem acompanhado a subida. Mais 282 por cento de maio para junho deste ano, mais 338 por cento de junho para julho, depois 1216 por cento em agosto face a julho. A Microsoft registou separadamente um aumento de 277 por cento de convites de calendário maliciosos em junho. Já no final de 2025, mais de um quinto de todo o phishing com chamada de retorno chegava por esta via, e a chamada é normalmente o objetivo: o convite não traz qualquer link que valha a pena clicar, apenas um número de telefone e uma história sobre uma cobrança de subscrição ou um problema na conta. Liga, atende uma pessoa, e o resto passa-se ao telefone, onde nenhum filtro consegue ver.
Duas definições resolvem quase tudo. No Google Agenda, nas definições de eventos, mude a opção "Adicionar convites à minha agenda" para apenas quando o remetente é conhecido. O Outlook tem uma opção equivalente que impede o processamento automático dos convites. De resto, a velha regra vale mais do que nunca: um número de telefone que chega acompanhado de um problema nunca é o número para o qual se liga. Procure a empresa por si.
Se alguma destas histórias o convencer a instalar seja o que for, a verificação de segurança do Tendvane assinala programas indesejados e ferramentas de acesso remoto que tenham surgido no PC, normalmente o primeiro rasto visível de um telefonema que correu mal.